CAIO MOURÃO

“Senhor dos metais mais nobres, do ouro e da prata, íntimo das ágatas e turmalinas. Caio Mourão, grande artista brasileiro, cria um mágico universo de colares, brincos e anéis, os quais, ao contato com a pele das mulheres, ganham vida, movimento e alma. São estrelas, flores, pássaros e poesia” 

Jorge Amado

           

Nascido em São Paulo, Caio Mourão de paulista só tem a certidão. Com alma carioca, passou a morar no Rio em 1957, onde participou da fundação da Banda de Ipanema, famosa até os dias atuais. O nome de Caio está fortemente ligado à joalheria, mas sua entrada no mundo artístico ocorreu a partir da pintura, meio no qual estudou com Aldo Bonadei e colaborou com Di Cavalvanti e Bandeira na realização de painéis. Como pintor e desenhista, Caio foi expositor na II Bienal de São Paulo em salões do Rio de Janeiro e Bahia.

 

O interesse por joalherias surgiu em 1955, trabalhando como aprendiz em oficinas. Seu estilo próprio, influenciado pelos conhecimentos em desenho e pintura, chamava atenção. Expôs suas joias no Museu de Arte Moderna de São Paulo e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Em 1963, ganhou o Prêmio Internacional de Joalheria.           

Após unir joalheria e moda no desenho de joias para Pierre Cardin, Caio foi convidado pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 1969, para dar aulas em Portugal. Especializando-se em prataria pesada, Caio Mourão se tornou referência, tornando suas joias verdadeiros objetos de desejo. Caio foi responsável pela criação de alguns troféus, como o “Gaivota de Ouro” para o II Festival Internacional de Cinema, fazendo com que as pessoas percebessem suas joias como pequenas esculturas.

Apesar da intensa ligação com o Rio e Ipanema, Caio decidiu afastar-se da cidade grande em busca de paz para suas criações. Sendo assim, mudou-se para Iguaba Grande, na década de 80, onde nasceram os “Vivandos”, esculturas móveis de pequeno porte, feitas a partir de aço e imãs. A natureza e o aço continuaram presentes em suas inovações enquanto dividia sua rotina entre Iguaba e o Atelier Mourão, em Ipanema, onde supervisionava os cursos ministrados por sua filha, Paula Mourão.

 

            Conhecido por ser um bom contador de histórias, Caio Mourão passou a escrever crônicas para a revista Caros Amigos, que posteriormente se tornaram os livros “Prata da Casa I” e “Prata da Casa II”. Se manteve ativo e cheio de ideias e planos para uma exposição retrospectiva sobre a sua trajetória, passando pelos desenhos, pinturas e réplicas das primeiras joias, quando faleceu em março de 2005, aos 71 anos.

 
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